Sustentabilidade e Governança: um pacto pelo futuro

Desenvolvimento Gerencial
Inaldo da Paixão Santos Araújo

Mestre em Contabilidade, Conselheiro do Tribunal de Contas do Estado da Bahia, Professor da Universidade do Estado da Bahia, Presidente do Instituto Rui Barbosa, Escritor e um homem orgulhoso de ser nordestino.

Foi com honra e senso de responsabilidade que representei o presidente do Instituto Rui Barbosa (IRB), Conselheiro Edilberto Carlos Pontes Lima, na assinatura de um Acordo de Cooperação com o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima. Um momento simbólico, mas de um imenso significado para todos nós, pois esse protocolo “estabelece bases de cooperação para fortalecer a adaptação climática nos municípios brasileiros, ampliando a capacitação técnica, a integração interinstitucional e a promoção de boas práticas de governança ambiental”.

Vivemos tempos em que a palavra “sustentabilidade” deixou de ser apenas um conceito acadêmico ou um discurso de boa intenção. Ela se transformou em um imperativo ético e civilizatório. Não se trata mais de escolher entre crescer ou preservar, mas de compreender que não haverá futuro possível sem crescimento sustentável, sem justiça social e sem responsabilidade ambiental.

O acordo celebrado, no âmbito da iniciativa AdaptaCidades, nasce com a missão de apoiar os municípios brasileiros, onde a vida realmente acontece e onde os impactos das mudanças climáticas se fazem sentir de forma mais concreta. Capacitar técnicos, integrar instituições, elaborar estudos, publicar livros, difundir boas práticas de governança ambiental — eis um caminho que fortalece não apenas a gestão pública, mas também a cidadania.

Os tribunais de contas são atores relevantes nesse processo. Ao lado da função de controle, eles também exercem as missões pedagógica e preventiva, ajudando gestores a encontrar soluções criativas, econômicas, eficientes, eficazes e responsáveis. O meio ambiente, afinal, não pode ser visto apenas como uma despesa, mas principalmente como um investimento na vida, na saúde, na dignidade e na esperança das gerações atuais e futuras.

Esse compromisso se conecta, de forma profunda, ao papel transformador que instituições como o IRB, em especial seu Comitê Técnico de Meio Ambiente e Sustentabilidade, vêm desempenhando: o de criar pontes, de estimular redes de cooperação, de valorizar a boa governança e de assegurar que cada política pública seja um instrumento de desenvolvimento humano.

É importante registrar que, apesar das inúmeras discussões sobre questões ambientais e de sustentabilidade no Brasil, ainda convivemos com um cenário alarmante de desmatamento. Mesmo com alguns avanços na pauta ecológica, o Relatório Anual do Desmatamento no Brasil (RAD), divulgado pelo MapBiomas Alerta em 15/05/2025, revelou que, somente na Amazônia, foram desmatados, em média, 1.035 hectares por dia, o que corresponde a cerca de sete árvores derrubadas por segundo.

Esses números reforçam a necessidade urgente de progredirmos na formulação e na execução de políticas públicas – e também privadas – mais eficazes e integradas, capazes de reverter essa realidade adversa. Iniciativas como o III Congresso Brasileiro de Direito e Sustentabilidade, na Bahia, por exemplo, e a COP30 – Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas, que será realizada em novembro, em Belém do Pará – representam esforços louváveis na busca de um mundo mais sustentável e consciente de seus impactos socioambientais. Tal compromisso encontra respaldo no preceito consagrado pela Constituição Federal de 1988, que, em seu art. 225, estabelece que: “Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações”.

É nesse espírito que me vem à memória a constatação – palavra tão usual no universo auditorial – de que a natureza tem sempre a última palavra e que cabe a nós, como sociedade, fazer brotar não apenas o perdão, como poetizou Beto Guedes, mas também o cuidado, o compromisso e a esperança.

Por isso, celebrar essa parceria não é apenas um ato administrativo. É um gesto de responsabilidade coletiva. É afirmar que tribunais de contas e órgãos ambientais podem e devem caminhar juntos na construção de cidades mais resilientes, verdes e humanas.

A assinatura desse importante Acordo é um ponto de partida, mas, mais que isso, é um chamado. Que possamos transformar cada linha desse termo na prática concreta, em resultados palpáveis, em um legado para as futuras gerações. Precisamos ter esse compromisso ético e moral.

Como membro do IRB, reitero nosso entusiasmo, nosso compromisso e nossa disposição de caminhar lado a lado com o Ministério do Meio Ambiente e com todos os parceiros desse projeto. Que o sol de primavera, eternamente poetizado por Beto Guedes, referindo-se à estação que se inicia neste 22/09/2025, ilumine essa jornada, lembrando-nos sempre, como Milton Nascimento vaticinou em Coração de Estudante, que “há que se cuidar do broto para que a vida nos dê flor e fruto”.