Comunicação, democracia e inteligência artificial pautam palestra de Sebastião Helvecio no XII BiblioContas

Gustavo Rozário Santana

A defesa da verdade institucional, os limites éticos da inteligência artificial e o papel dos Tribunais de Contas na proteção da democracia marcaram a palestra do vice-presidente de Desenvolvimento e Políticas Públicas do Instituto Rui Barbosa (IRB), Sebastião Helvecio Ramos de Castro, durante a programação da tarde do XII BiblioContas – Fórum Nacional de Bibliotecários e Arquivistas dos Tribunais de Contas, realizado em Belo Horizonte (MG). Com o tema “A Intosai, a Declaração de Sharm El Sheikh e a Comunicação dos Tribunais de Contas”, o encontro integrou a proposta central do evento: “Tribunais de Contas entre memória e inovação: gestão da informação e do conhecimento na era das IAs”.

Ao abordar inteligência artificial, Sebastião Helvecio alertou para os riscos do uso acrítico da tecnologia no setor público e defendeu supervisão humana permanente sobre algoritmos utilizados em processos decisórios. “A inteligência artificial não é inteligente e nem artificial. Ela escolhe apenas a partir do passado. Não possui presente, muito menos futuro. É um extraordinário modelo probabilístico de processamento de dados”, alertou.

Ao longo da exposição, o palestrante defendeu que os Tribunais de Contas precisam ampliar sua atuação para além da lógica exclusivamente sancionadora. “O que eu quero é que a sentença tenha valor público. Não é apenas sancionar ou aplicar multa. A decisão precisa ser pedagógica para que o erro não volte a acontecer”.

Logo no início da conferência, Sebastião Helvecio afirmou que as instituições de controle devem produzir impacto concreto na vida das pessoas. “Todos nós estamos neste mundo para fazer a vida melhor. Que possamos ter uma vida leve, feliz, útil e relevante para a sociedade”.

Ao refletir sobre o papel democrático das Cortes de Contas, o vice-presidente do IRB utilizou uma das imagens mais fortes da palestra. “Existe um corredor estreito onde floresce a democracia. E ninguém é melhor para colocar o grilhão numa autoridade do que o Tribunal de Contas. Nem deixar que ela seja anárquica, nem permitir que seja totalitária”, advertiu.

A comunicação institucional apareceu como outro eixo central da exposição. Para o vice-presidente do IRB, os órgãos de controle precisam assumir compromisso permanente com a verdade em um ambiente marcado pela desinformação e pela manipulação de narrativas. “As palavras vestem o pensamento. Uma palavra puxa outra palavra, e as palavras juntas podem produzir governos e revoluções”.

A plateia reagiu com aplausos quando Helvecio afirmou que nenhuma tecnologia será capaz de substituir a dimensão humana da criação, da emoção e da sensibilidade. “Jamais uma inteligência artificial vai escrever uma poesia. Ela pode reconhecer padrões, mas escrever poesia é humano. Só escreve poema quem tem humanidade”.

Ao encerrar a palestra, Sebastião Helvecio reforçou a necessidade de instituições comprometidas com ética, conhecimento e transformação social. “Que possamos ter uma vida leve, feliz, útil e relevante para a sociedade”.