O Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCEMG) realizou, nesta quarta-feira (13/5), a cerimônia de abertura do XII Fórum Nacional de Bibliotecários e Arquivistas dos Tribunais de Contas. O objetivo do evento é promover o intercâmbio de informações, conhecimentos e boas práticas, buscando fortalecer a cooperação técnica entre bibliotecas, arquivos, centros de documentação e de memória institucional, além de ampliar o acesso, a organização e a disseminação dos conteúdos produzidos por essas instituições.
Diante de uma plateia internacional, o presidente do TCEMG, conselheiro Durval Ângelo, questionou: “O que somos sem o que fomos? O que é o direito à memória?”. Ele mesmo explicou que, “no âmbito de tribunais de contas brasileiros, africanos, portugueses, o direito à memória significa o direito da sociedade de saber como o dinheiro público foi gerido ao longo do tempo. O direito das gerações futuras de acessar decisões que moldaram a administração pública, o dever institucional de preservar registros que sustentam o accountability internacional”, O evento reuniu participantes de instituições de vários estados brasileiros e dos países Guiné Equatorial, Timor-Leste, Moçambique e Angola.
Durval também lembrou do uso de inteligências artificiais, de algoritmos generativos, de sistemas que produzem e descartam informação em escala industrial. “Essa abundância cria uma ilusão de que “tudo está preservado”, mas a verdade é o oposto. Nunca se produziu tanta informação e falsas informações, fake news, e nunca foram perdidas tantas informações”, ressaltou.
A coordenadora de Biblioteca e Gestão da Informação do TCEMG, Ana Carolina Ferreira, enfatizou o trabalho que o Tribunal tem realizado junto às novas tecnologias. “Vivemos um tempo de profundas e rápidas transformações tecnológicas e já fazemos parte da era do ChatUAI, a inteligência artificial desenvolvida pelo TCEMG, que simboliza nosso compromisso com a inovação e com a modernização institucional”, disse.
À frente da Biblioteca Conselheiro Aloysio Alves da Costa, Ana Carolina frisou que “nossas bibliotecas, arquivos e unidades de documentação são provocados a assumir, com visão e protagonismo, os desafios impostos pela inteligência artificial, transformando mudanças em oportunidades de inovação, conhecimento e fortalecimento institucional”, afirmou.
O conselheiro aposentado do TCEMG, Sebastião Helvecio, atualmente vice-presidente de Desenvolvimento e Políticas Públicas do Instituto Rui Barbosa (IRB), participou da cerimônia de abertura e, na parte da tarde, conduziu a palestra “A Intosai, a Declaração de Sharm El Sheikh e a Comunicação dos Tribunais de Contas”.
Também estiveram presentes o subprocurador-geral do Ministério Público de Contas (MPC), Daniel Guimarães; a representante da presidência da Associação dos Bibliotecários de Minas Gerais (ABMG), Ana Paula Rezende; a presidente da Associação Mineira dos Arquivistas (AMArq), Karoline Neves; o diretor administrativo do Conselho Regional de Biblioteconomia (6ª Região MG/ES), Samuel Dantas; o diretor da Escola de Ciência da Informação da UFMG, professor Eduardo Valadares da Silva; a coordenadora do Comitê de Gestão da Informação e do Conhecimento do IRB, Michele Rodrigues Dias; o diretor da Escola de Contas e Capacitação Professor Pedro Aleixo, Rodrigo Marzano; e o coordenador de Arquivo e Gestão de Documentos do TCEMG, Júlio César Queiroz.
Palestra inaugural
O professor catedrático na Faculdade de Ciência e Tecnologia da Universidade Fernando Pessoa, na cidade de Porto, em Portugal, Luis Manuel Gouveia, foi o responsável pela aula magna do XII Fórum Nacional de Bibliotecários e Arquivistas dos Tribunais de Contas. Com o tema “Desafios da ia para profissionais da informação”, Gouveia apontou que as IAs podem criar conteúdos sintéticos e falsos históricos, tornando difícil distinguir o real do que é fabricado e como o algoritmo oferece risco à catalogação. Por outro lado, o docente apontou que a tecnologia pode auxiliar na recuperação automática de textos antigos e manuscritos danificados, além de produzir traduções instantânea, permitindo o acesso a um imenso patrimônio cultural.
Luis Manuel também falou sobre as mudanças que a profissão de bibliotecários mudou com o advento das obras digitalizadas. “Eles não organizam documentos. Eles gerem a relevância e a confiança desse dado num oceano de ruído sintético”, disse.
O primeiro dia do Fórum também teve palestra sobre a visão jurídica do uso da inteligência artificial, relacionada à Lei Geral de Proteção de Dados, e apresentações sobre os sistemas desenvolvidos dentro do TCEMG com o uso de IAs. A parte da manhã foi encerrada com a exibição de um vídeo documental em celebração aos 70 anos da Biblioteca Conselheiro Aloysio Alves da Costa, comemorados neste ano.
O palco do Auditório Vivaldi Moreira ainda foi o cenário, antes do começo da programação, de uma apresentação da Orquestra Jovem Vallourec.
Realização e programação do evento
A programação do XII Bibliocontas continua nos dias 14 e 15/5 e conta com palestras sobre perspectiva da catalogação com o uso de IA, aplicações da inteligência artificial em bibliotecas jurídicas, além de abrir espaço para trocas de experiências e apresentação de projetos bem-sucedidos.
Criado em 2003, o Bibliocontas se consolidou como um espaço estratégico de cooperação, diálogo institucional e intercâmbio de experiências entre bibliotecários, arquivistas e demais profissionais da informação que atuam nas unidades de informação dos tribunais de contas brasileiros, contribuído de forma significativa para o fortalecimento das práticas de gestão da informação, da memória institucional e do conhecimento organizacional no âmbito do Controle Externo.
Neste ano, com o tema “Gestão da informação e do conhecimento na era das IAs”, o Fórum é realizado pelo Instituto Rui Barbosa (IRB), em parceria com o Tribunal de Contas mineiro e a Escola de Contas do TCEMG, e apoio da Associação dos Servidores do Tribunal (Asscontas).
Você pode acessar a programação completa aqui.
* Matéria produzida pela Ascom do TCE/MG.