O desenvolvimento econômico não nasce de fórmulas prontas nem de ações isoladas. Nasce da capacidade de governos, instituições e sociedade trabalharem juntos. Foi essa a principal mensagem levada pelo diretor técnico do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae Nacional), Bruno Quick, durante palestra realizada nesta quinta-feira (21.05), no X Congresso Internacional de Controle e Políticas Públicas, em Belo Horizonte.
Com o tema “Abordagens indutoras e estruturantes do território empreendedor: o Sebrae, os órgãos de controle e o desenvolvimento”, Quick defendeu maior integração entre municípios, estados, União, universidades, setor produtivo e órgãos de controle como caminho para reduzir desigualdades regionais e impulsionar o desenvolvimento sustentável. A mesa foi presidida pela conselheira Onélia Santana, do Tribunal de Contas do Estado do Ceará.
Ao longo da apresentação, o diretor do Sebrae afirmou que o federalismo brasileiro, embora essencial, muitas vezes produz fragmentação administrativa e dificulta a construção de políticas públicas articuladas. Segundo ele, o conceito de território surge justamente para integrar competências e criar convergência entre setor público, iniciativa privada e sociedade civil.
Quick também destacou o avanço da inovação fora dos grandes centros urbanos. Segundo ele, o Nordeste concentrava apenas 8% das startups brasileiras há menos de cinco anos. Hoje, esse percentual já chega a 25%, resultado de investimentos em educação, interiorização da inovação e fortalecimento de ecossistemas regionais conectados a universidades e institutos federais.
Durante a palestra, o diretor apresentou experiências desenvolvidas pelo Sebrae em regiões de fronteira entre Paraná, Santa Catarina e Argentina, além de projetos na Serra da Ibiapaba, no Ceará. Nessas regiões, iniciativas integradas passaram a impulsionar turismo, sustentabilidade, economia circular, reciclagem e inovação local.
Segundo Quick, o Sebrae já apoiou 98 agendas de desenvolvimento em 130 territórios brasileiros, envolvendo mais de 1.500 municípios e cerca de 5 mil lideranças locais. O modelo, explicou, parte da construção de identidade coletiva entre gestores, empresários e instituições, muitas vezes separados por disputas políticas ou interesses divergentes.
“Às vezes, o problema não é tecnológico. É comportamento. É aprender a trabalhar junto”, afirmou. Para ele, o desenvolvimento depende menos de soluções isoladas e mais da capacidade de construir consensos, estabelecer prioridades e organizar agendas comuns capazes de conectar as vocações de cada território.
Na parte final da palestra, Bruno Quick defendeu uma atuação mais orientadora dos tribunais de contas e órgãos de controle. Segundo ele, quando o controle atua como indutor de boas práticas e fortalecedor da governança pública, cria segurança institucional para que gestores possam inovar e implementar políticas estruturantes. “O Brasil tem vocações extraordinárias que ainda não foram plenamente reveladas. Quando há convergência, integração e visão coletiva, os territórios se transformam”, concluiu.
