O gerenciamento de riscos, a inovação tecnológica e os desafios do controle externo estiveram no centro das discussões na programação do início da tarde. Em palestra, o auditor federal de controle externo Arnaldo Ribeiro, do Tribunal de Contas da União (TCU), apresentou reflexões sobre a evolução das auditorias governamentais e a importância da adoção de métodos alinhados aos padrões internacionais.
Ao abordar os rumos do controle externo brasileiro, Ribeiro destacou que a identificação e a avaliação de riscos são etapas fundamentais para a qualidade dos trabalhos de auditoria. Segundo ele, as respostas aos riscos identificados exigem rigor técnico e planejamento criterioso para garantir a confiabilidade dos resultados.
Durante a apresentação, o auditor enfatizou a importância da definição adequada de procedimentos e da utilização de amostras compatíveis com os critérios de materialidade previstos nas normas de auditoria. De acordo com Ribeiro, a calibração desses instrumentos contribui para aumentar a precisão dos exames e fortalecer as conclusões alcançadas pelos órgãos de controle. “Diante de falhas fiscais, o planejamento minucioso protege os recursos públicos. Assim, o controle ganha robustez ao mitigar erros em contas governamentais”, afirmou.
O palestrante também ressaltou a necessidade de incorporar inovações tecnológicas às atividades de fiscalização. Para ele, o uso de ferramentas modernas, aliado a metodologias consistentes de avaliação de riscos, permite direcionar esforços para áreas mais relevantes e reduzir desperdícios na execução dos trabalhos.
Ribeiro defendeu ainda o alinhamento das práticas de auditoria aos padrões internacionais, destacando que a adoção de procedimentos compatíveis com referências reconhecidas globalmente fortalece a qualidade das análises e amplia a segurança das decisões dos colegiados dos tribunais de contas.
Segundo o auditor, a concentração dos esforços nos riscos efetivamente avaliados contribui para a produção de evidências mais consistentes e para o aprimoramento do controle sobre a gestão dos recursos públicos.
EXPERIÊNCIAS INTERNACIONAIS

Na segunda parte da tarde, a mesa de debate trouxe as experiências internacionais sobre inovação tecnológica aplicada ao controle externo. Com mediação do auditor do Tribunal de Contas do Município de São Paulo, Jorge de Carvalho, os especialistas Addy Waichigo e Laila Kikuste apresentaram iniciativas desenvolvidas pelas instituições superiores de auditoria do Quênia e da Letônia.
Os painelistas destacaram a aplicação de inteligência artificial e de ferramentas de análise de dados como elementos cada vez mais presentes nas atividades de auditoria. Segundo os especialistas, o fortalecimento da governança passa, obrigatoriamente, pela forte digitalização dos processos de análise
Laila Kikuste mostrou práticas adotadas pela Instituição Superior de Auditoria (SAI) da Letônia para o cruzamento de informações orçamentárias e o aprimoramento das análises realizadas pelos auditores. Já Addy Waichigo apresentou experiências da SAI do Quênia no uso de inteligência de dados em auditorias financeiras.
Os especialistas destacaram que ferramentas de data analytics ampliam a capacidade de identificar riscos e tornam os processos de fiscalização mais ágeis e precisos. Segundo os painelistas, a tecnologia vem convertendo grandes volumes de informações em instrumentos capazes de apoiar análises preditivas e qualificar a tomada de decisões pelos órgãos de controle.
Ao encerrar o debate, Jorge de Carvalho ressaltou a importância de os tribunais de contas brasileiros acompanharem as tendências internacionais e incorporarem soluções tecnológicas que contribuam para o aperfeiçoamento das atividades de auditoria e fiscalização.

