1º Fórum de Águas Interiores defende integração para transformar o potencial hidroviário brasileiro

Gustavo Rozário Santana

Brasília sediou, na terça-feira (28), o 1º Fórum de Águas Interiores, encontro que reuniu representantes da Marinha do Brasil, do Governo Federal, dos Tribunais de Contas, da iniciativa privada, da academia e de entidades ligadas à navegação para discutir o futuro das hidrovias brasileiras. A programação foi marcada por debates sobre inovação, logística, desenvolvimento sustentável e pela defesa de uma política nacional capaz de ampliar o uso dos rios, lagos e lagoas como instrumentos de crescimento econômico e integração regional. O presidente do Instituto Rui Barbosa (IRB), conselheiro Inaldo Araújo, e o vice-presidente de Desenvolvimento e Políticas Públicas do Instituto, conselheiro Sebastião Helvecio Ramos de Castro, participaram do encontro.

A abertura contou com a presença do diretor da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), Almirante Wilson de Lima Filho; do comandante do 7º Distrito Naval, Vice-Almirante Rogério Pinto Ferreira Rodrigues; do secretário nacional de Hidrovias e Navegação do Ministério de Portos e Aeroportos, Obvio Luiz Pinheiro da Silveira Filho; e do diretor-presidente do Cluster Naval de Águas Interiores do Brasil, Almirante de Esquadra Flávio Augusto Viana Rocha. Também participaram empresários, dirigentes de entidades ligadas ao setor hidroviário e representantes das Sociedades Amigos da Marinha de diversos estados.

Ao dar início aos trabalhos, o almirante Flávio Augusto Viana Rocha afirmou que o fórum representa mais do que um evento técnico. Para ele, trata-se do primeiro passo de um movimento nacional voltado à valorização das águas interiores e à construção de um ambiente permanente de cooperação entre os diversos segmentos envolvidos com a economia fluvial. “O Brasil reúne condições únicas para fazer das águas interiores um dos pilares de sua estratégia logística e de desenvolvimento. Nosso propósito é integrar competências, estimular parcerias e construir soluções que transformem esse imenso potencial em resultados concretos para a sociedade”.


Na avaliação do diretor-presidente do Cluster, pensar a economia dos rios exige olhar para um conjunto de atividades que vai além da navegação. Ele destacou que as hidrovias impulsionam a atividade portuária, fortalecem a indústria naval, movimentam o turismo, estimulam a inovação tecnológica e favorecem a integração entre regiões do país. “As hidrovias movimentam cadeias produtivas inteiras. Elas impulsionam a atividade portuária, a indústria naval, o turismo, a inovação tecnológica, a qualificação profissional e a integração regional. Tudo isso precisa caminhar ao lado da preservação ambiental e da sustentabilidade. O futuro das águas interiores depende de planejamento, governança e da atuação conjunta de todos os atores comprometidos com o desenvolvimento do Brasil”.

Representando o Instituto Rui Barbosa, o presidente Inaldo Araújo destacou que o fortalecimento das hidrovias passa também pela construção de políticas públicas consistentes e pela atuação coordenada das instituições de controle. Segundo ele, a parceria firmada entre o IRB e o Cluster Naval reforça o compromisso com uma agenda voltada à boa governança e ao desenvolvimento sustentável. “As águas interiores são um patrimônio estratégico para o desenvolvimento do Brasil. Elas impulsionam a logística, fortalecem a economia, promovem a integração regional e contribuem para a preservação ambiental. A parceria entre o Instituto Rui Barbosa e o Cluster Naval de Águas Interiores do Brasil reafirma nosso compromisso com o aperfeiçoamento da governança, a disseminação de boas práticas e a construção de soluções que conciliem desenvolvimento econômico, responsabilidade ambiental e sustentabilidade para as futuras gerações”.

O vice-presidente de Desenvolvimento e Políticas Públicas do IRB, conselheiro Sebastião Helvecio Ramos de Castro, observou que a ampliação do transporte hidroviário precisa integrar uma estratégia logística mais abrangente, articulada com os demais modais de transporte. Para ele, os Tribunais de Contas têm papel importante na indução de políticas públicas capazes de aumentar a competitividade do país. “O controle que defendemos é um controle a favor do desenvolvimento. O modal hidroviário precisa ser compreendido como parte de uma estratégia integrada de logística, ao lado dos modais ferroviário e rodoviário. Quando essa articulação acontece, o país ganha competitividade, reduz custos e cria oportunidades de crescimento”.

Também presente ao encontro, a procuradora e corregedora do Ministério Público de Contas de Minas Gerais, Elke Moura, chamou a atenção para os desafios que acompanham o crescimento desse segmento. Ela ressaltou que o potencial hidroviário brasileiro ainda é subaproveitado e que sua expansão exigirá dos órgãos de controle uma atuação cada vez mais especializada, especialmente em temas relacionados às futuras concessões de hidrovias. “Fortalecer esse debate é essencial para que o controle externo esteja preparado para contribuir com segurança, eficiência e visão de futuro”.

Ao longo da tarde, o fórum promoveu dois painéis dedicados à importância da economia dos rios e às perspectivas de inovação e tecnologia para o setor. A proposta do encontro foi conectar operadores, construtores, prestadores de serviços, investidores, universidades e gestores públicos em torno de uma agenda comum para ampliar o aproveitamento sustentável das águas interiores. A expectativa dos organizadores é que esta primeira edição consolide um espaço permanente de diálogo e cooperação em favor da economia fluvial brasileira.