A engenheira florestal Maria Isabel de Barros, do Instituto Alana, participou nesta quinta-feira (27/ago) do III Encontro Nacional da Primeira Infância (ENAPI), no Teatro Rio Vermelho, em Goiânia. Ela apresentou a palestra “Natureza, clima e primeira infância”, que tratou da importância do contato das crianças com a natureza, das brincadeiras ao ar livre e da preparação das escolas para enfrentar o calor e outros efeitos das mudanças climáticas. O debate teve como debatedor o conselheiro Luís da Cunha Teixeira, do Tribunal de Contas do Estado do Pará (TCE-PA).
Maria Isabel explicou que a redução do contato das crianças com ambientes naturais pode afetar o desenvolvimento físico, emocional e social. Segundo ela, também pode prejudicar as oportunidades de aprendizagem. A especialista destacou que as crianças precisam de espaços externos para brincar, se movimentar e explorar o ambiente com segurança. Essas experiências ajudam no desenvolvimento da autonomia e na criação de vínculos com os lugares onde vivem.
Ela também chamou a atenção para a redução das oportunidades de brincar ao ar livre nas últimas décadas. Entre os fatores estão o aumento do tempo dentro de casa e o maior uso de telas. Segundo Maria Isabel, a preocupação dos adultos com a segurança das crianças é legítima, mas mantê-las afastadas dos espaços públicos e das áreas externas pode diminuir experiências importantes para o seu desenvolvimento.
A especialista destacou que as altas temperaturas e as ondas de calor podem reduzir ainda mais o tempo que as crianças passam ao ar livre. Ela defendeu políticas públicas para ampliar a arborização e o sombreamento das cidades e escolas. O plantio de árvores pode ajudar a criar ambientes mais frescos e favorecer a permanência das pessoas em espaços externos.
As escolas também precisam estar preparadas para o calor. Entre as medidas defendidas estão a criação de áreas com sombra e a ampliação dos espaços arborizados. Segundo ela, as crianças precisam de espaços externos para brincar, se movimentar e enfrentar desafios de forma segura e progressiva. A falta dessas experiências pode estar relacionada a problemas como miopia, aumento de peso, hiperatividade, ansiedade e alterações no sono.
A especialista afirmou que o contato com ambientes externos pode trazer benefícios para o desenvolvimento físico, emocional e social das crianças, além de contribuir para a aprendizagem. Ela defendeu ainda mudanças na estrutura das escolas para reduzir o que chamou de “crise do emparedamento”, expressão usada para descrever a permanência excessiva das crianças em ambientes fechados, propondo escolas mais arborizadas, salas de aula abertas e outros espaços que permitam o contato com a natureza.
BOAS PRÁTICAS DOS TCS
Após a palestra, o III ENAPI promoveu uma mesa de debates sobre boas práticas relacionadas à primeira infância com representantes de tribunais de contas de diferentes estados. A conselheira Cilene Lago Salomão, do Tribunal de Contas do Estado de Roraima (TCE-RR), apresentou o projeto AJURI – Raízes e Saberes da Infância Indígena em Roraima, que aborda a realidade educacional de crianças indígenas e busca considerar os saberes, as línguas e as características das comunidades tradicionais.

O presidente e conselheiro Rholden Queiroz, do Tribunal de Contas do Estado do Ceará (TCE-CE), apresentou o Pacto Cearense pela Primeira Infância: transformando intenções em ações. A iniciativa reúne instituições para fortalecer ações voltadas aos direitos das crianças de zero a seis anos.
O conselheiro Severiano José Costandrade de Aguiar, do Tribunal de Contas do Estado do Tocantins (TCE-TO), apresentou o Programa TCE de Olho no Futuro, que busca estimular a atuação conjunta de diferentes áreas do poder público em políticas voltadas à primeira infância.
A conselheira Mara Lúcia Barbalho da Cruz, do Tribunal de Contas dos Municípios do Estado do Pará (TCM-PA), abordou o controle social em defesa da primeira infância e celeridade na atuação do controle para garantir os direitos de nossas crianças. Ela destacou a importância de uma atuação rápida dos tribunais de contas e da participação da sociedade na defesa dos direitos das crianças.
O conselheiro Antônio Joaquim, do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE-MT), apresentou como boa prática do controle externo naquele estado a inclusão de creches no orçamento estadual, destacando a importância de prever recursos públicos para ampliar e manter vagas em creches.
A mediação da mesa foi feita por Inaldo Araújo, presidente do Instituto Rui Barbosa (IRB) e conselheiro do Tribunal de Contas do Estado da Bahia (TCE-BA).
ENAPI
O III ENAPI é o maior evento brasileiro dedicado à proteção da primeira infância. Pela primeira vez em Goiânia, é realizado pelo Instituto Rui Barbosa (IRB), por meio do seu Comitê Técnico da Primeira Infância (CTPI), Associação dos Membros dos Tribunais de Contas do Brasil (Atricon), Conselho Nacional dos Presidentes dos Tribunais de Contas (CNPTC), Tribunal de Contas do Estado de Goiás (TCE-GO) e Tribunal de Contas dos Municípios do Estado de Goiás (TCMGO). De 26 a 28 de agosto, sua programação inclui palestras e mesas redondas, com o objetivo principal de fortalecer as políticas públicas voltadas às crianças de até seis anos.
Acesse o álbum de fotos do evento e acompanhe a transmissão ao vivo no Youtube do TCE-GO.
Texto: Leonardo Rocha Miranda
Fotos: André Landre e Kazuo