O encerramento da palestra do dia foi conduzido por Henrique Carneiro, do Tribunal de Contas da União (TCU), que apresentou o processo de auditoria financeira da Organização das Nações Unidas (ONU), desde as atividades de pré-planejamento até o monitoramento das recomendações emitidas após as fiscalizações.
Durante a exposição, o auditor explicou que a fase inicial é fundamental para que as equipes compreendam o funcionamento das estruturas organizacionais da ONU e identifiquem previamente áreas de maior risco. Segundo ele, esse trabalho orienta o planejamento das auditorias e contribui para a definição dos procedimentos que serão adotados ao longo das fiscalizações.

Carneiro detalhou também as etapas de execução dos trabalhos de campo e de elaboração dos relatórios, destacando a necessidade de conciliar rigor técnico e observância dos protocolos institucionais. Ele ressaltou que o TCU integra o Conselho de Auditores da ONU em mandato vigente (2024-2030), participando diretamente das auditorias financeiras realizadas pela organização.
De acordo com o palestrante, os achados de auditoria são avaliados com base em normas contábeis internacionais aplicadas ao setor público, garantindo consistência técnica às conclusões apresentadas. O acompanhamento posterior das recomendações, acrescentou, é uma etapa essencial para assegurar que as medidas corretivas sejam efetivamente implementadas e resultem em melhorias na gestão das entidades auditadas.
Ao abordar a atuação internacional do TCU, Carneiro citou auditorias realizadas em missões de paz da ONU em regiões como Líbano e Kosovo, destacando os desafios envolvidos na fiscalização de operações conduzidas em contextos complexos.
Outro tema abordado foi o modelo de cooperação que permite a participação de auditores dos tribunais de contas brasileiros nessas atividades. Segundo o palestrante, a seleção dos profissionais ocorre por meio de articulação entre o TCU e a Associação dos Membros dos Tribunais de Contas do Brasil (Atricon), com base em acordo de cooperação técnica que possibilita a participação de auditores de diferentes estados.
O processo seletivo inclui entrevistas e avaliação de competências técnicas, além da exigência de fluência em língua inglesa. Após a seleção, os profissionais podem ser cedidos temporariamente por seus órgãos de origem para atuar nas auditorias internacionais, ampliando a participação brasileira nas atividades de controle externo desenvolvidas pela ONU.