Ariosto Jaeger

Ariosto Jaeger

Advogado
Conselheiro

Advogado por formação, Jaeger foi também secretário estadual de Educação por duas vezes, secretário estadual de Justiça e conselheiro do Tribunal de Contas do Rio Grande do Sul.
Gaúcho de Tupanciretã, era casado com Gelci Jaeger.

Esteve no parlamento gaúcho por 20 anos.

Em novembro de 2007, concedeu entrevista à Jornalista Vanessa Canciam sobre sua trajetória política e os 20 anos no parlamento gaúcho.

Deputado estadual por cinco mandatos, durante vinte anos consecutivos (1951 a 1971), Ariosto Jaeger é um importante personagem da história política recente do Rio Grande do Sul. No Parlamento gaúcho, participou de comissões técnicas como a de Educação e Constituição e Justiça. “Foram nesses momentos que aprendi a respeitar as ideias dos colegas e a ser reconhecido pelos mesmos quanto ao papel que me coube na história da política do nosso Estado”. Advogado por formação, Jaeger foi também secretário estadual de Educação por duas vezes, secretário estadual de Justiça e conselheiro do Tribunal de Contas do Rio Grande do Sul. Aos 85 anos, o gaúcho de Tupanciretã é casado com Gelci Jaeger.

Como o senhor iniciou a vida política?
Iniciei a carreira me filiando ao PSD (Partido Social Democrático) e participando das campanhas, na cidade de Santa Rosa, mais precisamente no distrito de Cinqüentenário. Concorri ao cargo de vereador e fui eleito com boa votação. Na época, na localidade de Cinqüentenário, aquela era a segunda legislatura para a Câmara Municipal. Foi então que iniciei meu primeiro mandato como vereador de 1947 a 1950. Em 1951, concorri para deputado estadual pelo PSD e tive uma grande votação em todas as regiões.

O senhor esteve na Assembleia durante 20 anos. No total, foram cinco legislaturas. Nas quatro primeiras, esteve filiado ao PSD e na última, à Arena. Quais foram os motivos que o fizeram escolher o PSD?
Escolhi o PSD pelo fato de que os procedimentos e práticas políticas do partido correspondiam rigorosamente à minha forma de proceder e agir, em qualquer circunstância.

Como era o espaço físico do Casarão da Rua Duque de Caxias?
Embora fosse chamado de casarão, o espaço físico era restrito, mau conservado. Não havia espaço para diversas atividades nele exercidas. As comissões funcionavam em salas pouco numerosas. No máximo, uma para cada comissão. Na época, as instalações eram precárias. Atualmente, no prédio novo, elas foram bastante melhoradas para atender ao fim a que se destinam.

No Casarão havia muitas manifestações populares? O senhor se recorda de alguma?
Não ocorriam muitas manifestações populares, mas o povo ia até a Assembleia para suas reivindicações. Me recordo de uma ocasião em que os deputados foram obrigados a permanecer por 48 horas na AL, pelo fato de haver uma única saída do Casarão. A solução foi permanecer no recinto para evitar agressões, até mesmo de natureza física, pelos manifestantes.

Ainda no Casarão da Rua Duque de Caxias, como era o relacionamento e a convivência entre parlamentares de diferentes partidos?
A convivência era boa, mas haviam divergências, críticas mútuas e, eventualmente, agressões verbais. As discussões na tribuna eram sobre assuntos políticos e administrativos.

Quais eram os deputados mais dados ao debate?
Eram Liberato Salzano Vieira da Cunha, Pedro Simon, Sereno Chaise, Paulo Brossard de Souza Pinto, Leonel de Moura Brizola, Gudbem Castanheira. Não posso perder a oportunidade de citar meu nome, Ariosto Jaeger, pois também era assíduo ao bom debate na tribuna. Lembro de um episódio quando eu apartei o deputado Brizola, na época da última guerra. Brizola me perguntou: qual é mesmo seu nome? Nós convivíamos há muitos anos na Assembléia e na política do Rio Grande do Sul, mas mesmo assim respondi: Ariosto Jaeger. Brizola, bem de acordo com sua forma de agir, procurando explorar o fato do meu sobrenome ser de origem alemã – numa época tão polêmica de guerra – ainda repetiu: como é mesmo o seu nome? Eu retornei, dizendo somente deputado Jaeger, com muita honra. Só então ele encerrou a conversa.

A atividade parlamentar daquela época era diferente da atual?
Na minha opinião era diferente pelas suas características. Segundo os especialistas e analistas da nossa história política, mudou sim.

O senhor acompanhou a mudança de sede da AL. Como foram os primeiros anos na casa nova, o Palácio Farroupilha?
As novas condições arquitetônicas e materiais permitiram um aperfeiçoamento nas atividades parlamentares.

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