Durante o III ENAPI, cientista político defendeu governança sistêmica e colaborativa
Para além de problemas na oferta de vagas, o acesso de crianças a creches no Brasil enfrenta outro desafio: pais e responsáveis optam por não matriculá-las. Para o cientista político, professor e pesquisador da Fundação Getúlio Vargas (FGV) Fernando Abrucio, esse exemplo mostra que a articulação pouco estruturada com as famílias e comunidades é um dos principais obstáculos às políticas públicas direcionadas a crianças de zero a seis anos no Brasil. Abrucio ministrou nesta quarta-feira (26/ago), em Goiânia, a palestra de abertura do III Encontro Nacional da Primeira Infância (ENAPI), que segue até sexta-feira (28/ago).
Dados divulgados este ano pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que, entre as crianças de 0 a 1 ano, 64,1% permanecem fora das creches por opção dos próprios responsáveis. Entre as de 2 e 3 anos, o percentual é de 57,1%. “É preciso conquistar e engajar as famílias e comunidades”, afirmou o cientista político. A esse desafio, segundo ele, se juntam outros, como o fortalecimento de lideranças políticas e coalizões em prol do tema, bem como do estímulo à intersetorialidade e à integração de instituições e atores.
“Não há como construir, em um país tão heterogêneo, um caminho único. As soluções dependem de capital humano, de padrões econômicos, e até dos biomas locais, de modo que precisamos desenvolver um cardápio de soluções, com diferentes modelos integrados de governança colaborativa e instrumentos de gestão”, concluiu.
III ENAPI
O III ENAPI é o maior evento brasileiro dedicado à proteção da primeira infância. Pela primeira vez em Goiânia, é realizado pelo Instituto Rui Barbosa (IRB), por meio do seu Comitê Técnico da Primeira Infância (CTPI), Associação dos Membros dos Tribunais de Contas do Brasil (Atricon), Conselho Nacional dos Presidentes dos Tribunais de Contas (CNPTC), Tribunal de Contas do Estado de Goiás (TCE-GO) e Tribunal de Contas dos Municípios do Estado de Goiás (TCMGO). De 26 a 28 de agosto, sua programação inclui palestras e mesas redondas, com o objetivo principal de fortalecer as políticas públicas voltadas às crianças de até seis anos.