Pesquisa nacional mapeia ações dos Tribunais de Contas enfrentamento ao racismo e à violência contra a mulher

Gustavo Rozário Santana

Levantamento realizado pelo Gabinete do conselheiro Estilac Martins Rodrigues Xavier reuniu respostas de 31 Tribunais de Contas do país

Uma reflexão apresentada em um congresso internacional na Espanha deu origem a uma pesquisa nacional sobre a atuação dos Tribunais de Contas no enfrentamento ao racismo, na promoção da igualdade racial e nas ações voltadas à equidade de gênero e ao combate à violência contra a mulher. O levantamento, desenvolvido pelo Gabinete do conselheiro Estilac Martins Rodrigues Xavier, do Tribunal de Contas do Estado do Rio Grande do Sul (TCE-RS), contou com a participação de 31 Tribunais de Contas brasileiros.

A iniciativa surgiu durante a preparação da palestra “Controle Externo: o Desafio de Enfrentar o Racismo e a Discriminação às Mulheres”, apresentada pelo conselheiro em 6 de março de 2026, no VII Congresso Internacional de Controle Público e Luta Contra a Corrupção, realizado em Granada, na Espanha. A partir do debate, uma questão passou a orientar o trabalho: de que maneira os Tribunais de Contas vêm incorporando o enfrentamento às desigualdades raciais e de gênero, tanto em suas práticas institucionais quanto no exercício do controle externo?

“O enfrentamento ao racismo e à violência contra as mulheres é uma preocupação que me acompanha há muito tempo. Quando presidi o TCE-RS, procurei transformar esse compromisso em ações concretas, por meio dos planos anuais de fiscalização e da institucionalização desses temas no Tribunal. Esta pesquisa dá continuidade a essa responsabilidade, buscando compreender como os Tribunais de Contas podem contribuir para o enfrentamento dessas desigualdades”, destacou o conselheiro Estilac Martins Rodrigues Xavier, do TCE-RS.

Para buscar respostas, o Gabinete elaborou dois questionários e os encaminhou aos Tribunais de Contas de todo o país. Um deles tratou do combate ao racismo e da promoção da igualdade racial; o outro, da equidade de gênero e do enfrentamento à violência contra a mulher. As respostas dos 31 Tribunais participantes foram consolidadas e analisadas, permitindo identificar iniciativas internas e ações diretamente relacionadas à fiscalização de políticas públicas.

No campo da igualdade racial, a pesquisa examinou, entre outros pontos, a fiscalização do cumprimento do artigo 26-A da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, que estabelece a obrigatoriedade do ensino de história e cultura afro-brasileira e indígena, além da atuação relacionada aos Conselhos de Promoção da Igualdade Racial. Em relação à equidade de gênero, o levantamento abordou a fiscalização das estruturas previstas pela Lei Maria da Penha, a atuação dos Conselhos Municipais dos Direitos das Mulheres e as políticas adotadas pelos próprios Tribunais.

A sistematização das respostas permitiu traçar um panorama nacional, identificando experiências já desenvolvidas e áreas em que a atuação do controle externo pode avançar. O levantamento mostra que as duas agendas já estão presentes em diferentes Tribunais de Contas, embora em graus distintos de incorporação às atividades institucionais e de fiscalização.

Concluída a etapa de coleta e análise, os resultados passaram a ser compartilhados com os Tribunais de Contas e entidades representativas do Sistema, com o objetivo de estimular a troca de experiências e ampliar a discussão sobre essas áreas de atuação. A proposta não é estabelecer um modelo único, mas reunir práticas que possam contribuir para que o enfrentamento ao racismo e à violência contra a mulher seja cada vez mais associado à efetividade das políticas públicas e ao exercício do controle externo.

Links para leitura.

Equidade de Gênero
Combate ao Racismo e à Programação da Igualdade Racial