Financiamento do SUAS e Controle Externo

Dados, Informação e Conhecimento
Conselheira Onélia Leite

Doutora em Ciências da Saúde, MBA em Administração Pública e Especialista em Psicopedagogia. Possui formações em liderança executiva pelo Insper e pela Universidade de Harvard. Conselheira do Tribunal de Contas do Estado do Ceará, Presidente do Comitê Técnico de Assistência Social do Instituto Rui Barbosa. Foi Secretária da Proteção Social do Estado do Estado do Ceará.

O Sistema Único de Assistência Social (SUAS) garante a proteção social à população vulnerável no Brasil, mas, diferentemente da saúde e da educação, carece de um piso constitucional de financiamento. Isso torna a assistência social dependente de decisões fiscais anuais e discricionárias. Para corrigir essa assimetria, o Senado Federal analisa a PEC nº 7/2026 (originada da PEC nº 383/2017), um marco para a governança pública.

Atualmente, os municípios sofrem com uma sobrecarga financeira desproporcional para manter a rede socioassistencial. Sem um financiamento mínimo da União e dos Estados, os serviços públicos tornam-se reféns de emendas parlamentares esporádicas e contingenciamentos. Essa instabilidade orçamentária prejudica o planejamento de longo prazo e precariza os serviços.

A PEC nº 7/2026 propõe uma transição financeira responsável através de repasses vinculados à Receita Corrente Líquida (RCL) da União, partindo de 0,3% no primeiro ano até atingir o teto de 1%. Com base na RCL de 2026, o orçamento saltaria de cerca de R$ 4,91 bilhões para R$ 16,36 bilhões.

Sob a ótica do controle externo, investir no SUAS é uma medida preventiva e estratégica. Uma rede socioassistencial sólida, com equipes estáveis e financiamento contínuo, atua antes que as vulnerabilidades se agravem e gerem impactos na saúde, na segurança pública ou altos custos de acolhimento. Quando o risco já estiver presente, o município terá planejamento orçamentário para garantir a continuidade da proteção social.

Neste cenário, a atuação do Comitê Técnico de Assistência Social do Instituto Rui Barbosa se mostra indispensável. O Comitê tem a missão de capacitar, articular e qualificar o controle externo nacional para atuar de maneira eficiente nos indicadores da Assistência Social. Com o monitoramento de indicadores territoriais, os Tribunais de Contas passam a atuar de forma preventiva e indutora, oferecendo estudos, notas técnicas e metodologias unificadas de auditoria que assegurem que a expansão do financiamento se traduza em serviços públicos de excelência.