Meu dia de Ruy
Autoria
Gustavo FariasAuditor Estadual de Controle Externo TCE-BA Mestre em Comunicação pela University of Strathclyde – Glasgow Professor, advogado e economista
Ao iniciar minhas atividades no Instituto Rui Barbosa – IRB, o “braço acadêmico” dos Tribunais de Contas, nunca imaginei que teria a oportunidade de viver a experiência de ser o próprio Águia de Haia, mesmo que por alguns instantes.
Neste caso, faço referência ao pai da pop art, o mestre Andy Warhol, por dois motivos: primeiro porque a logo do Instituto é vermelha e vibrante, com nosso patrono em imagem moderna, lembrando o trabalho do artista americano. E segundo, porque sempre foi atribuída a ele a ideia de que todos nós teremos, de algum modo, 15 minutos de fama na vida.
Vivi essa experiência enquanto atendia no estande do Instituto, quando fui abordado por uma jovem que me perguntou se eu era Ruy Barbosa. Pensei: que senso de humor maravilhoso! E prontamente respondi: claro que sou!
Para ajudar o leitor ou leitora, é preciso que se diga que sou calvo e uso barba e bigode, e ambos são mistos das cores branca e preta. Tenho aspecto de homem sério, que estuda e leva a vida com responsabilidade, o que, no fim das contas, é uma verdade. De gravata e paletó, é difícil imaginar que eu seja capaz de fazer uma piada ou cantar uma música.
Seguindo a história, a jovem me pediu para ser fotografado com ela, segurando uma das publicações do Instituto que eu, “Ruy Barbosa”, lhe havia oferecido como cortesia, como é a regra da instituição.
Após ser fotografada junto com o “pai” dos tribunais de contas, a moça permaneceu no nosso espaço e passou a mexer no celular. De repente, e agora assustada, me chamou para dizer: “olha, eu vi aqui na internet que Ruy Barbosa já morreu. Estou envergonhada com isso”. Pedi desculpas, pois, para mim, tratava-se de uma brincadeira dela. Afinal, em 5 de novembro deste ano, nosso patrono completaria 177 anos de nascimento, data que vamos continuar celebrando em memória de seus feitos extraordinários.
Dito isso, fiquei pensando que fui confundido com Ruy Barbosa apenas pela imagem de senhor sério e de certa idade, o que para mim foi decepcionante. Nunca serei como Ruy, mas pude sonhar por alguns minutos que eu era ele.
Antes que alguém faça críticas ao fato de a moça não saber quem era Ruy Barbosa, quero dizer que a culpa pelo equívoco é de todos nós. Precisamos continuar trabalhando para que a Educação seja o elo mais forte que nos une e nos faz avançar. No turbilhão do mundo digital, a quantidade das informações passou a valer mais do que a qualidade.
Convido para que todos e todas conheçam o Instituto Rui Barbosa, que há 53 anos, completados no último dia 12 de outubro, trabalha para o aperfeiçoamento da administração pública de uma forma ampla, apoiando, entre outras ações, aquelas que avaliam e apontam caminhos para as políticas públicas brasileiras na área da Educação.