Pular para o conteúdo

IRB amplia diálogo internacional sobre inteligência artificial em seminário da EURORAI nos Açores

Por Gustavo Rozário Santana

Encontro em Portugal reúne representantes de instituições de controle externo do Brasil e da Europa para discutir os desafios da tecnologia nas auditorias públicas

O Instituto Rui Barbosa (IRB) participou, nesta sexta-feira (16.10), em Ponta Delgada, nos Açores, Portugal, do Seminário Internacional “Auditoria Pública e Inteligência Artificial”, promovido pela Organização Europeia das Instituições Regionais de Controle Externo (EURORAI), em cooperação com a Secção Regional dos Açores do Tribunal de Contas de Portugal. Membro observador da organização europeia, o IRB integrou a delegação brasileira que acompanhou os debates sobre os impactos da inteligência artificial na fiscalização dos recursos públicos.

A comitiva contou com o presidente do IRB, conselheiro Inaldo Araújo, e do presidente da Associação dos Membros dos Tribunais de Contas do Brasil (Atricon), conselheiro Edilson Silva, além de dirigentes e representantes de Tribunais de Contas de diferentes estados brasileiros. O encontro abriu espaço para a troca de experiências sobre o uso de novas tecnologias na análise de dados, na identificação de irregularidades e no aperfeiçoamento das auditorias.

“A inteligência artificial já faz parte da realidade dos Tribunais de Contas, e precisamos estar preparados para utilizar todo o seu potencial com responsabilidade. Esse diálogo com instituições europeias nos permite conhecer experiências, compartilhar soluções e avançar na capacitação dos nossos auditores. O papel do Instituto Rui Barbosa é justamente transformar esse conhecimento em iniciativas que fortaleçam o controle externo brasileiro, sem perder de vista que a tecnologia deve estar a serviço das pessoas e do interesse público”, destacou o presidente do IRB, conselheiro Inaldo Araújo.

A programação reuniu experiências de instituições da Áustria, Alemanha, Espanha, Escócia e outras regiões europeias. Entre os assuntos discutidos estiveram a segurança das informações, a transparência dos sistemas automatizados, os riscos de decisões baseadas em dados inadequados e a necessidade de preservar o julgamento profissional dos auditores. Os participantes também abordaram a importância de estabelecer regras institucionais para a utilização dessas ferramentas.

Representatividade brasileira

Além dos presidentes do IRB e da Atricon, participaram do seminário os vice-presidentes do Instituto Sebastião Helvecio Ramos de Castro, responsável pela área de Desenvolvimento e Políticas Públicas, e Ivan Bonilha; os conselheiros Antonio Ed (TCE-RN), André Clemente e Paulo Tadeu (TCDF), Adircélio de Moraes Ferreira Júnior (TCE-SC), vice-presidente de Relações Internacionais da Atricon, e Wilber Coimbra, presidente do TCE-RO; além do conselheiro substituto Christiano Ghuerren (TCE-RJ).

Um dos representantes brasileiros na programação científica, Sebastião Helvecio integrou o painel de abertura, moderado por Jens Michel, presidente do Tribunal de Contas da Saxônia, na Alemanha. Em sua apresentação, defendeu a atualização dos referenciais internacionais de auditoria e a definição de limites para o emprego da inteligência artificial, especialmente nas atividades que envolvem julgamento e responsabilização.

Para o IRB, as discussões também oferecem subsídios para atualizar o diagnóstico sobre a utilização da inteligência artificial pelos Tribunais de Contas brasileiros, identificando experiências em andamento, necessidades de capacitação e possibilidades de atuação conjunta. A participação na EURORAI aproxima o Instituto de iniciativas internacionais que podem contribuir para a construção de parâmetros técnicos de utilização da tecnologia no controle externo.